VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?
Gianini Cochize Ferreira

"Devemos encarar os nossos medos firmemente e, com sinceridade, perguntar a nós próprios por que estamos temerosos. Esse confronto, em alguma medida, nos conferirá poder".
(Martin Luther King)

A pergunta acima tem uma sabedoria profunda. E encontrar uma resposta sincera para ela pode abrir uma transformação substancial na vida de uma pessoa. Em minhas pesquisas e reflexões sobre o tema, estou praticamente convencido que o medo é o maior causador de nosso sofrimento. Não quero dizer com isso que devemos eliminar os nossos medos, mas sim aprender a lidar com eles. Afinal, o medo teve e tem a sua função básica de preservar a espécie humana e contribuir para a sua evolução.

A descoberta fundamental exige a tomada de uma atitude fundamental, sustentada numa firme escolha de mudança. Fugir do medo ou mesmo nega-lo, nos conduz ao auto-engano e nos leva a viver uma vida limitada, ilusória e mentirosa.

Em minhas palestras sobre Atitude Positiva, dedico um módulo para falar sobre o medo. Normalmente, interajo com o público perguntado: Qual é o seu maior medo? Analisem algumas respostas: de ficar sozinho, de morrer, de perder alguém da família, de ficar desempregado, de falar em público, de elevador, do fracasso, de lutar pelo que acredito e ao final não dar em nada etc. A lista vai longe. Contudo, percebam que todos estão ligados a perda de algo. Mesmo falar em público, um medo comum para muitos está relacionado à perda de auto-estima. Esse sentimento de perda está ligado aos nossos desejos de posse e controle.

Segundo Eckhart Tolle, autor do livro O poder do agora, "em última análise todos os medos se resumem a um só: o medo que o ego tem da morte".

Conforme já comentei, o medo não é algo negativo, é preciso deixar claro que o medo faz parte da natureza humana e é essencial à preservação da vida. É uma reação instintiva ao perigo. Precisamos entender o seu valor e perceber a diferença entre o medo natural e o psicológico. Daniel Goleman, em seu famoso livro Inteligência Emocional, trata de vários tipos de emoções, entre elas o medo. Diante das novas tecnologias que permitem perscrutar o cérebro e o corpo como um todo, Goleman nos explica como o medo funciona: "No medo, o sangue corre para os músculos do esqueleto, como os das pernas, facilitando a fuga; o rosto fica pálido, já que o sangue é subtraído. Ao mesmo tempo, o corpo imobiliza-se, ainda que por um breve momento, talvez para que a pessoa considere a possibilidade de, em vez de agir, fugir e se esconder."

A reação acima é natural para todo tipo de raça humana, independente de cultura ou nacionalidade. Contudo, o medo psicológico, potencializado pela vida "moderna", está calcado nas crenças e valores de cada povo, gerando em cada um diversas variações emocionais, como ansiedade, nervosismo, tensão, estresse, pavor, preocupação excessiva etc. Esse medo excessivo nos rouba totalmente o sabor do momento presente. Pois o medo conduz nossa mente para o futuro, e lá a estaciona. Todas essas variações podem diminuir de intensidade se conseguirmos identificar qual é o medo fundamental, ou seja, aquele que principia todas as demais variações. Aquele que está mais ligado à causa do que às conseqüências.

Carlos Hisdorf, em Atitudes Vencedoras, aponta que "o medo nos conduz a uma atitude de respeito e atenção diante dos desafios, e em si não constitui nenhum problema. Os problemas nascem conforme as escolhas que fazemos diante do medo ou em decorrência dele."

Aprendi na vida que a solução de um problema está muito próxima de uma pergunta sincera e inteligente. E a pergunta inteligente para a questão é? Que é o seu medo fundamental.

Ao descobrir a resposta para essa pergunta precisamos em seguida identificar quais são os fatores externos, que supostamente são os causadores de nosso temor. Então perceberemos como é pouco ou quase inexistente a nossa capacidade de altera-los. Essa segunda descoberta nos faz perceber que a mudança deve ocorrer dentro de nós, tomando uma atitude corajosa, que se manifesta com a força da nossa vontade.

Cabe esclarecer que coragem não é ausência de medo. Quando identificamos uma pessoa de coragem, rapidamente pensamos que ela não tem medo de nada. Esse é o nosso maior engano. A pessoa corajosa é aquela que tem coragem de enfrentar o medo que habita em seu interior, mas para isso, primeiro precisa descobri-lo.

A terceira descoberta, talvez a mais difícil de compreender e ao mesmo tempo clara, é reconhecer que um dos principais medos da humanidade é o medo de amar. Simplesmente porque perder uma pessoa amada gera um sofrimento proporcional à intensidade desse amor. O medo de amar nos tira a capacidade de aprender a amar. E onde há um amor verdadeiro, um amor que liberta e não escraviza, um amor livre do desejo de posse e de controle, o medo deixará desistir.

Portanto, coragem é dominarmos o medo seguindo a nossa vocação com a força de nossa vontade. E, o medo, só pode ser neutralizado quando a força do amor ocupar o seu lugar. Mas, conforme já falamos, para galgarmos esse caminho de libertação, é preciso responder a seguinte pergunta: Qual é o seu medo fundamental?

 

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