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UM ENSAIO SOBRE A MORTE

“Uma vez que o amor é eterno, não é preciso temer a morte”. Lee L. Jampolsky

“Não é que eu tenha medo de morrer. Só não quero estar lá quando isso acontecer”.Woody Allen

Quem gosta de falar sobre a morte? Sei que, para a maioria das pessoas, tra­tar desse assunto é desconfortável. Por te­mor e distorções dogmáticas implantadas principalmente pelas religiões ocidentais, fa­lar sobre a morte é um dos maiores tabus culturais do mundo contemporâneo.

Negar a morte, não se preparando para ela, cria em nosso subconsciente uma cultu­ra ilusória de eternidade. Essa sensação en­ganosa de que podemos ser eternos, nos faz procrastinar e ignorar ações de real valor.

Por muitas vezes, substituímos o mo­mento presente e as pessoas ao nosso re­dor por sentimentos de ansiedade, culpa, estresse, preocupação e exagerado medo de perda. Nós nos preocupamos muito com o que não temos e desejamos possuir sem­pre mais. Todo arcabouço de coisas que construímos ao nosso redor, inconsciente­mente, serve para nos dar a falsa impres­são de que estamos protegidos e seguros. Imunes à morte.

Esse padrão de pensamento nos faz es­cravos de nossas posses, que passam a nos possuir. Um forte apego às coisas é o reflexo de nosso exagerado apego à vida. Pensamos que temos um suposto controle sobre a vida e, consequentemente, sobre a morte. Esse apego à vida e falso domínio do tempo é pro­porcional ao nosso temor pela morte, por isso preferimos não falar sobre ela.

Todos nós estamos sujeitos à fatalidade da morte, que pode nos visitar a qualquer momento. Disfarçamos e negamos essa ver­dade até que ela impiedosamente nos sur­preende. Enquanto isso não acontece, en­quadramos essa verdade somente aos ou­tros, de preferência bem distantes. Afastar essa fatalidade de nós também faz com que nos sintamos supostamente mais seguros. Aqui reside outro engano.

Reflitamos: neste exato momento esta­mos vivendo ou morrendo aos poucos? Mi­nha resposta é simples: as duas coisas. No mesmo instante em que vivemos também morremos. Essa descoberta interior trans­forma profundamente nossa relação com a realidade, provocando uma surpreendente reforma em nossas atitudes.

Se analisarmos racionalmente, desde o nosso nascimento iniciamos uma jornada em direção à morte. O passado de certa forma para nós já morreu, e o futuro enquanto isso nos leva em direção à morte. Parece demais assustador, mas essa perspectiva sombria nos remete a encontrar a vida no momento presente. E no aqui e agora que devemos ex­perimentar a beleza da vida. Por isso tanto se fala que a vida passa num instante. Con­tudo, tudo isso nos revela um problema mui­to maior. Como nossa mente, mal-educada, nos joga a todo instante para o passado e para o futuro, passamos muito pouco conos­co no momento presente, e aí deixamos de apreciar o sabor da vida, de sentir a vida.

Precisamos educar nossa mente para aprender a lidar com a utilização de nosso tempo. Quando não o fazemos, consentimos participar e acreditar no efeito da acelera­ção do tempo, em função do ritmo alucinante da “vida moderna”. E começamos a correr sem saber para qual direção estamos indo. Outro ensinamento que a morte nos proporciona é a experiência que pes­soas que passaram por um processo de quase-morte nos revelam. A maioria a des­creve como algo positivo que mudou a sua vida. Elas normalmente saem dessa expe­riência diferenciando o que é importante do que não é em suas vidas. Os valores são profundamente modificados.

Faça a seguinte experiência. Supondo que um médico lhe dissesse que lhe resta apenas um dia de vida, o que você faria com esse tem­po? Encontre suas verdadeiras respostas.

Detenha-se um tempo para refletir so­bre como deseja viver o resto de sua vida, e mude por meio de atitudes inteligentes o que precisa ser mudado. Só você pode fazer isso. Considerar a morte como uma possibilida­de real nos faz agir no momento presente. Todos precisamos aprender a superar a nossa incapacidade de lidar com a morte e a aperfeiçoar as nossas atitudes para melhor viver a vida. Veja se é este tipo de pensamen­to que gostaria de ter em seu leito de morte: “Puxa, como eu gostaria de ter passado um pouco mais de tempo no escritório”. Até sempre!

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. (Gonzaguinha)


Gianini C. Ferreira é professor da FIA, no MBA em Gestão de Negócios, especialista em influência, leciona as disciplinas de Liderança e Habilidades Gerenciais


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