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VOCÊ SABE AMAR?

“E ainda que distribuísse todos os meus bens para alimentar os pobres e entregasse meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, de nada me valeria”.

“O amor é tolerante e amável; não é invejoso; o amor não se ufana, não é soberbo, não se comporta de maneira inadequada, não busca seu interesse, não se irrita facilmente, não faz mau juízo; não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.” Corínthios I, 13 Refletindo sobre o trecho acima, encontrado na Epístola de Paulo, percebemos o quão distante estamos do amor. Hoje em dia, mal sabemos o que esta palavra amor significa.

Resumimos o que entendemos por amor aos nossos relacionamentos, a dois, três ou mais membros de nossa família. Essas formas de amor nada mais são do que anexos do nosso ego. Experimentamos muito pouco o sentimento do amor em seu sentido mais nobre, sublime, desinteressado e incondicional.

Fica difícil aprender a amar quando a nossa atenção está centrada em nós mesmos – nossas necessidades, nossos prazos, nossos projetos. Muitas pessoas, por exemplo, acham difícil permanecer interessadas em algo que não seja elas mesmas. A isto damos o nome de egocentrismo. Ocupamos todo o nosso tempo com os nossos desejos, e dedicamos pouco tempo aos demais. Nossa convivência com as pessoas passa a ser medida pelos nossos interesses, no que podemos ganhar nas relações. Apesar de tantos exemplos e ensinamentos deixados ao longo da história, ainda não desenvolvemos nossa capacidade de amar.

Eknath Easwaran, em sua obra – O amor nunca falha -, relata que “um brilhante cardiologista americano, Meyer Friedman, atribui muitos problemas cardiovasculares a uma síndrome de pensamentos e conduta que denomina Personalidade tipo A, apresentada por homens e mulheres agressivamente comprometidos em uma luta crônica e incessante para obter mais e mais, em menos e menos tempo, e se necessário, competindo com outras coisas e outras pessoas”. Nos tornamos reféns de um sistema social caótico, repleto de medo, ansiedade, isolamento, depressão, separação e violência. Esta é a maior tragédia que a humanidade está enfrentando.

Tudo isso gera sofrimento, fome, doenças, guerras e outras mazelas mais. Tudo isso resulta da nossa total incapacidade de amar.

O Século 20 foi marcado pelo forte apego ao materialismo. E agora, no início do século 21, nos encontramos em uma encruzilhada. Parece que aos poucos estamos tendo que admitir que erramos – e feio. A tão almejada felicidade encontrada no consumismo, nos bens materiais, aos poucos começa a ser desmascarada, e um vazio enorme abre-se dentro de nós, um vazio que Madre Teresa descreveu como “Carência de Amor”.

Sejamos sinceros: É possível ser feliz sem amor?

Detenha-se por um momento, investigue o seu coração e tente esvaziar-se de si mesmo e dissolver-se no mais sublime sentimento de amor universal.

Se conseguirmos sentir um resquício desse amor, uma grande transformação pode acontecer. Ele se encontra lá, esperando pelo seu chamado. O fato é que há muito tempo ele foi abafado por tudo que já descrevemos. É nossa a decisão de acender essa chama, aquecendo nosso mundo interior e expandindo a luz ao nosso entorno.

Um novo caminho se abre quando percebemos que não podemos ser felizes sem que o amor faça parte de nossas vidas. Ao invés de esperar o amor chegar, temos que decidir amar. Esta decisão por si só já abre um novo mundo à nossa frente, altera completamente o fluxo das coisas, inverte prioridades e valores. Nossa relação com o tempo, com a natureza e com as pessoas necessariamente passa a ser outra.

Você sabe amar? Eu ainda não sei, mas posso dizer que estou muito disposto a aprender.
Segundo Easwaran, para o amor puro e perfeito necessitamos de cinco coisas. A primeira é tempo, tempo para os demais. A segunda é controle de nossa atenção, atenção pelo que é importante, atenção para o outro. Em terceiro lugar vem a energia, a vitalidade. É nossa a responsabilidade de não desperdiçarmos nossa energia em coisas menos importantes que o amor. Em quarto, necessitamos de discernimento, uma característica essencial do amor: a capacidade de discernir entre bons e maus desejos.

Os critérios são simples. Os bons desejos beneficiam a todos – incluindo, é claro, a nós mesmos. Os maus desejos podem ser muito agradáveis, mas não beneficiam ninguém – novamente, nem sequer a nós mesmos. Por último, devemos ser conscientes da unidade de vida: a consciência de que a vida é um todo indivisível. Esse é o verdadeiro fundamento do amor.

Não pretendo prescrever nenhuma receita de amor, temo invadir a liberdade alheia. Cada um, em seu estado de consciência deve avaliar o quanto é importante para si saber mais sobre o amor. Aprendi que a melhor forma de aprender é praticar, mas para isso temos que querer. Temos o conhecimento, temos os exemplos, e temos, mais que tudo, dentro de nós uma capacidade infinita para amar.

É triste estarmos rodeados de aparatos materiais e tecnológicos, em nossa casa, com um ou mais carros na garagem, e uma gorda conta bancária, mas com um coração vazio, um lar vazio, sem nada para amar a não ser as coisas.

Já ouvimos muito que, no final o que vale é o que deixamos de valores eternos, e não o nosso legado material – que é passageiro. Pensemos nisso antes que seja tarde, pois somos criaturas finitas e impotentes. Incapazes de definir o quanto vamos viver, mas totalmente capazes de definir como vamos viver.

“E agora, subsistem a fé, a esperança e o amor, os três; mas, o maior deles é o amor”.
Paulo: Coríntios I, 13.


Gianini C. Ferreira é professor da FIA, no MBA em Gestão de Negócios, especialista em influência, leciona as disciplinas de Liderança e Habilidades Gerenciais


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